Bernardo Dartagnan

Bernardo Dartagnan é natural de Florianópolis/SC e possui conexão com as artes desde a sua infância. Graduou-se em Arquitetura e Urbanismo em 2010, o que lhe possibilitou atuar diretamente com a criatividade ao longo de sua vida profissional e que, mais tarde, revelaria a sua verdadeira paixão como artista.

 


Br: Quando começou a criar?

Be: A prática do desenho me acompanha desde criança. Sempre admirei a arte dos quadrinhos e animes (desenhos japoneses). Gostava de copiar o que eu via e criar personagens, histórias, zines. Na faculdade de Arquitetura (UFSC, 2003-2010) e atuando no mercado, minha parte criativa encontrou novos estímulos. Trabalhei com criação na arquitetura até 2016, quando comecei a criar artisticamente. Desde então, me dedico exclusivamente à arte.


Br: Qual sensação você sentiu quando se viu como artista pela primeira vez? Houve algum momento especial que te levou a isso?

Be: A sensação foi de fascínio e descobrimento. Eu havia me re-encontrado com meu lado artístico depois de muitos anos. Não produzia artisticamente desde a infância. Foi como um alívio “nossa! Sempre existiu esse lado artístico aqui dentro, lembra?”. Foi uma lembrança, um re-encontro. Senti frescor. Voltei a prática artística como uma válvula de escape. Estava me sobrecarregando bem com o mercado da construção civil e uma noite eu pensei: “vou desenhar um pouco, me distrair”. Naquela época, lembro que “do nada” fiz novas amizades relevantes com artistas. Pessoas que brotaram na minha vida. Para me cutucar.


Br: Das técnicas artísticas que você já experimentou, qual delas mais desperta a sua criatividade e conexão com a sua comunicação?

Be: Hoje vejo muito a técnica como um meio para me expressar. Existe algo dentro de mim, que quero colocar pra fora e acredito que através de tal técnica vou expressar aquilo bem. Então navego por canetas, marcadores, carvão, tinta acrílica, spray, e por aí vai. Lógico que é um loop. Durante a produção, a própria materialidade vai me conduzindo também. Conduzo ela e ela me conduz. Nesse sentido, uma das técnicas que mais me estimula é a técnica “scribble” (desenhos com caneta ou marcadores feitos em estilo “rabiscado”, revelando volumes, luz e sombra). É uma experiência parecida com produzir abstratos, onde a arte vai se revelando e me conduzindo também.


Br: De que forma você acredita que ser brasileiro influência a sua arte?

Be: Acredito que a pluralidade do brasileiro me influencia muito. Somos esse povo plural, que agrega diversas influências e referências e transforma em algo único. Como bom brasileiro tenho esse gosto muito plural e a capacidade de juntar e cruzar essas influências na minha construção como artista e na construção das minhas obras.


Br: Das coisas que te inspiram, qual delas mais tem te despertado e acompanhando nesta fase?

Be: Acho que a primeira inspiração que me acompanha desde sempre é a espiritualidade e o desenvolvimento humano. O estudo e percepção da vida, das leis naturais e do ser humano permeia minha vida e minhas obras. Atualmente, a materialidade tem me despertado muito. Texturas, cores, composições. Observo isso na natureza, nas cidades, no graffiti, em obras dos grandes mestres. Hoje é isso que mais me puxa.


Br: Se você pudesse deixar uma mensagem sua para você em outro momento da sua vida, qual momento seria e qual a mensagem que você deixaria?

Be: Eu falaria para o Bernardo que iniciou sua carreira artística, la em 2016: “Você tem algo de valor a entregar pro mundo. Tenha calma, tolerância e foco. Curta o processo. A vida não é uma corrida.”


Br: Como foi o processo de criar e comunicar sobre o Tempo?

Be: Foi algo de grande aprendizado. Me dispus a criar algo novo, que não tinha encarado de frente ainda. Algo original, ousado, de experimentação. Parece que voltei no começo da minha carreira, com um grande canvas em branco na minha frente. “E agora?”. Me deparei comigo mesmo em cada passo. Me enxerguei mais, questionei mais, recebi mais respostas. Cresci muito em pouco tempo. E aprendi novamente o valor do grupo. Todas as pessoas envolvidas no processo foram chaves para o êxito dessa empreitada.


Br: Durante o processo de criação das obras, você se deparou com alguma reflexão que gostaria de compartilhar?

Be: Nesse processo, eu conheci mais um prisma da paciência e da compaixão comigo mesmo. Pratiquei os fracassos como degraus para o aprendizado. Aprendi mais uma vez o valor de errar e como converter os erros em sucesso. “Erre! Mas erre com o gosto de continuar tentando”


 

Obrigada Be 💙


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